Pit bulls são recepcionistas de salão de beleza na Zona Leste de SP

Bill e Billy também atraem clientes e fazem ‘bico’ de segurança à noite. Para proprietário, temperamento de cão depende de criação. Alguns salões de beleza inovam o atendimento oferecendo mimos como massagens, cafezinhos e bombons. Um cabeleireiro na Zona Leste de São Paulo, porém, foi além e colocou como recepcionistas dois grandes cães da raça pit bull. Apesar do tamanho e da cara de mau, a dupla é mansa e virou xodó dos clientes do salão. Bill e Billy chegaram filhotes ao sobrado situado na Avenida João Neri de Carvalho, região de São Miguel Paulista. No térreo, são feitos os cortes de cabelo e tratamentos de beleza; no andar superior fica a casa onde vive o casal de cabeleireiros Eduardo Yamada, de 43 anos, e Norma Menezes, de 53. “Como eram filhotinhos, os clientes achavam bonitos e queriam brincar”, contou Yamada. “Eles acostumaram com as pessoas e acabaram ficando no salão.” Essa interação constante desde pequenos fez com que os cães se acostumassem ao vaivém de diferentes pessoas. E, segundo Yamada, contribuiu para que a dupla se tornasse dócil. “Acho que todo bicho que é criado amarrado acaba ficando bravo. Um vira-lata acorrentado será agressivo.” Num primeiro contato, a presença de Bill e Billy impressiona. A equipe de reportagem do G1 esteve no salão na quarta-feira (23). Ao entrar no estabelecimento, nenhum sinal dos cães. “Eles estão dormindo. Espera que eu vou chamar”, afirmou Yamada. Com um simples assobio, os bichos apareceram. O primeiro a “se apresentar” foi Bill, de 10 anos. Marrom e branco, ele impõe respeito. Seu rabo abanando freneticamente de um lado para o outro, porém, mostrava que suas intenções eram boas. Apesar da idade avançada em se tratando de cães, ele está bem fisicamente. Além de correr, saltar e brincar com um pneu de moto como qualquer jovem pit bull, Bill sabe alguns truques úteis, como abrir portas e levar sacolas de compras escada acima. O outro cachorro é Billy, de 5 anos. Branco e com olhar firme, ele é mais contido, mas muito brincalhão e sempre está atrás de Bill. Quando a noite cai, porém, a dupla muda de comportamento e faz um “bico” de segurança. “Quando fecha o salão, eles ficam bem espertos e latem ao primeiro barulho estranho, para avisar se algo errado está acontecendo”, disse o filho do cabeleireiro, Bruno, de 22 anos. Clientes Yamada garante que se o cliente tiver medo os cães são presos. “Eu só preciso dar a ordem que eles saem. Eles ficam tristes, mas tudo bem.” A contadora Vilma Paterniani Iunes, de 46 anos, fez isso durante um tempo. “No começo eu pedia para eles saírem. Mas com o tempo, fui acostumando e agora gosto muito deles.” Dona do salão, Norma Menezes afirmou que seus cachorros, além de ajudarem na segurança e na recepção, atuam como chamarizes do estabelecimento. “Tem gente que entra aqui só para ver os dois.” Seu marido contou que muitos passaram a cortar o cabelo lá por causa dos pit bulls. “Só o Bill atraiu uns dez clientes.” (Foto: Paulo Toledo Piza/G1) site g1