A Verdade sobre Pitbulls

 

PIT BULL SÓ É VIOLENTO QUANDO RECEBE TREINAMENTO

Há denúncias de rinhas de Pit Bull em Aracaju, apesar de se registrar poucas mordidas envolvendo a raça.

Andréa Vaz
Da redação CINFORM


A pit bull Mel é treinada, mas não para matar. Aos dois anos, ela é dócil e brincalhona, assim como seria todo pit bull, de acordo com criadores e veterinários. Tanto que das 67 mordidas de cães, em média, registradas por mês na Divisão de Epidemiologia, da Secretaria Municipal de Saúde, quase nenhuma envolve a raça com fama de assassina.

Mas mesmo assim os cães viraram um pesadelo nacional e quase todos temem ser a próxima vítima ao dar de cara com um fila, um rotweiler ou um pit bull. "Tenho amigos que têm pit bulls. Eles dizem que os cachorros não mordem, mas tenho receio da raça", Maressa Garcia, professora de educação física.

Mordida de cão é caso de saúde pública e de segurança. No ano passado foram registrados 734 casos só em Aracaju. De acordo com a chefe da Divisão de Epidemiologia, Deborah Moura, até maio deste ano 280 pessoas foram mordidas por cachorros. Ela ressalta que o número é alto e que na maioria dos casos os cães que atacaram têm dono.

O veterinário Tiago Rego garante que o pit bull é um cachorro como qualquer outro. "O problema é que há muito dono mau, que só treina o cachorro para brigar, e outro tanto despreparado, que não sabe criar o animal", atesta ele. Mas quem lê nos jornais os casos de pessoas atacadas pela raça com fama de assassina duvida que Mel viva em harmonia até com desconhecidos e ande ao lado de bebês. Mas a dona da cadela, a empresária Jane Rego, avisa que as aparências enganam e quem faz o cachorro é o dono. "O problema não é o animal. É o dono. O dono é que é o vilão", diz a empresária.

Segundo Ricardo de Aquino Resende, ex-presidente do Kannel Clube de Sergipe, a origem da má reputação vem das famílias que cuidam do animal. "Maus-tratos e treinamento para rinhas transformam cães em monstros, em assassinos", salienta ele. Para Ricardo, o que se deve discutir é a responsabilidade civil e criminal do proprietário em relação aos atos do cão. "O problema real é de falta de aplicação do que já está previsto na lei. Em casos de ataque ou morte causada por animais, o Código Penal prevê pena de prisão para os proprietários. Nos Estados Unidos a lei é aplicada e a Justiça já condenou diversos donos de cães de prisão por homicídio culposo. Mas no Brasil a lei não é aplicada e a impunidade impera", assinala ele.

Gina Brandão Blinofi, gerente do Centro de Controle de Zoonose de Aracaju, reconhece que a lei existe e não é cumprida. "Existe uma lei municipal, por exemplo, que regulamenta que todos os animais ferozes devem ser conduzidos com coleira tipo enforcador, com mordaça e conduzido por alguém com idade igual ou superior a 16 anos. O problema é que a lei não é cumprida. Mas também formularam a lei e não colocaram nenhum órgão para fiscalizar seu cumprimento", assinala Gina.

Assim como veterinários e criadores, Gina diz que os problemas dos pit bulls são os donos, que torturam os bichos para torná-los ferozes e furiosos para as disputas em rinhas. "A raça por si só é uma mistura produzida. Além disso, há pessoas que utilizam esses animais para rinhas. São treinados para ser agressivos. Na verdade, o animal é o espelho do dono, o reflexo do dono. Está comprovado cientificamente", disse.

Segundo Ricardo, a rinha é um triste espetáculo de crueldade contra animais em que dois cães são colocados num ringue para brigar. A batalha só termina quando um dos donos desiste da luta ou um dos animais morre. De acordo com ele, para atiçá-los, os preparadores usam animal vivo de outra espécie como isca, que pode ser um coelho ou uma galinha.

"É uma preparação de guerra. Uma das técnicas cruéis usadas para treiná-los para a rinha é prendê-los por vários dias num buraco de 2 metros de profundidade por 1 metro de largura. Infelizmente, há muitas rinhas de pit bulls em Aracaju", denuncia Ricardo. A pessoa capaz de praticar tanta maldade contra um animal pode matar uma outra. Dados do FBI, departamento de investigação federal dos EUA, mostram que cerca de 80% dos assassinos americanos começaram torturando animais. A história de Russel Weston é exemplar.

Em 1998, ele entrou no Congresso Americano e atirou em três pessoas. Minutos antes, havia matado os gatos do pai. No Brasil, o caso mais famoso é o do maníaco do parque, Francisco de Assis Pereira. Antes de matar mulheres em São Paulo ele tinha o hábito de abusar sexualmente de cadelas.

FONTE: CINFORM

 

01/01/2001