A Verdade sobre Pitbulls

 

PIT BULL - A RAÇA MAIS POLÊMICA DO MOMENTO

Alguns anos atrás, a sociedade temia os dobermanns. Corria até o boato de que estes cães, desenvolvidos na Alemanha no auge do nazismo, teriam predisposição genética a atacar pessoas de pele escura (!!) e sofreriam de uma enxaqueca crônica, devido ao pequeno tamanho de sua caixa craniana. E mais: em razão dessa dor de cabeça interminável, os dobermanns estariam sempre nervosos e prontos a atacar…

Depois foi a vez dos rottweilers se transformarem em inimigos públicos. Os detratores da raça afirmavam categoricamente que esse cão não tinha a capacidade de se apegar aos donos e, por isso, nunca poderia ser um animal de estimação confiável.

Agora, o alvo é o pitbull. No debate sobre a "verdadeira natureza" deste cão, as opiniões de dividem: de um lado, os apreciadores da raça fazem sua defesa apaixonada; de outro, estão aqueles que consideram o pitbull uma fera incontrolável, um animal imprevisível e que pode fugir do controle a qualquer instante. Com quem está a razão?

A ARCA Brasil entende que não existem verdades absolutas, sobretudo em questões tão complexas como essas que envolvem a nossa relação com outras espécies. A predisposição para a posse responsável de cães e gatos  é um fator fundamental para um bom convívio entre sociedade e animais. Ao mesmo tempo, acreditamos que esse debate precisa ser conduzido de forma séria e construtiva, a fim de evitar equívocos que possam colocar em risco o bem-estar das pessoas e dos cães (vale lembrar o caso do Rio de Janeiro, onde chegou a ser implementada uma lei que restringia o passeio das "raças agressivas").

Assim, a ARCA decidiu incluir o debate sobre pitbulls na programação do 2º Seminário Veterinário Solidário – Responsabilidade Social & Bem-Estar Animal . Essa providência foi tomada por dois motivos principais: um, é a busca de caminhos efetivos, que possam de fato contribuir para tornar mais harmonioso o convívio da sociedade com seus animais; o outro, de suma importância, é a necessidade de fornecer subsídios para que o clínico veterinário possa lidar melhor com a questão dos pitbulls em seu dia-a-dia. Como orientar apropriadamente os donos destes animais? Que providências cabem a esse profissional na eventualidade de ele atender um cão que claramente foi utilizado em rinhas? É possível reverter um comportamento problemático já instalado?

Estas e outras questões serão debatidas durante o Seminário, com a presença de veterinários que se dedicam intensamente ao estudo do tema. Um deles é o veterinário solidário Renato Medeiros, de São Paulo. Confira a seguir algumas opiniões desse profissional a respeito dos pitbulls:

ARCA: Na sua opinião, qual é o verdadeiro pitbull: o cão amigo e atlético, ou o animal feroz e pronto para o ataque?
RM:
Para responder sua pergunta, devo deixar claro que maior problema em torno do pitbull é a imagem que foi criada no início de sua criação e comercialização no Brasil. Com o intuito de fazer sobressair o porte atlético que esse animal de fato possui, os criadores investiram muito na imagem do cão forte e robusto. Isso estimulou o interesse pela raça, mas atraiu também a atenção pouco desejável de quem quer um "cachorro mau".

ARCA: Porém, os ataques que ocorrem são reais. Como explicar tantos acidentes envolvendo pitbulls e cães de grande porte, como rottweilers, filas e mastins?
RM:
Em primeiro lugar, existem de fato pessoas mal-intencionadas, que adquirem cães destas raças com o intuito de transformá-los em animais de ataque. Ao receberem treinamento inadequado, eles desenvolverão comportamentos negativos. Também existe o problema de pessoas que não sabem educar adequadamente, que mal controlam o cachorro – isso também é grave, sobretudo quando se trata de animais de grande porte. Como esses cães são fortes e vigorosos, qualquer mordida deles produz um estrago. Um chiuaua pode ser tão ou mais agressivo, mas seu "ataque" não causará um dano físico real. Finalmente, existe a mídia, que busca notícias sensacionalistas e dá destaque, sempre negativo, ao pitbull, mesmo quando ele não esteve envolvido em ataque nenhum.

ARCA: O senhor poderia dar um exemplo?
RM:
No dia 20 de setembro, o jornal Folha de São Paulo noticiou o abadono de um pitbull, que fora amarrado a uma lixeira num bairro da zona sul de São Paulo. O animal foi vítima de abandono, não atacou ninguém e foi levado sem problemas pelos funcionários do Centro de Controle de Zoonoses. No entanto, o jornal estampou m letras garrafais: "Perigo na Calçada"!

ARCA: O que o senhor pensa dessas leis que restringem os passeios dos cães destas raças ou mesmo que pretendem instituir a castração obrigatória?
RM:
São todas inúteis. Primeiro, porque penalizam o animal em vez de responsabilizarem os maus proprietários. Segundo, porque são leis que não educam. O certo seria difundir conceitos de posse responsável, não estabelecer limites e proibições ineficientes. Terceiro, porque sempre surge uma nova raça da moda para assumir o papel de vilão: se acabarem com os pitbulls, virá a moda do Cane Corso, do Dogo Argentino… O que tem de ser feito é conscientizar as pessoas!

ARCA: E as rinhas?
RM :
A própria história da raça (o pitbull foi desenvolvido originalmente para lutar com touros) leva alguns aventureiros a quererem um cão de rinha. Esta é uma questão séria, pois configura uma tremenda crueldade contra os animais e evidentemente gera distúrbios comportamentais. Além disso, dá margem a um outro problema, que são as criações de fundo de quintal. Os donos dos "melhores lutadores" vão querer cruzar seus cães, vender os filhotes, dando origem a toda uma linhagem clandestina, sem o menor critério para as cruzas etc.

ARCA: Finalmente, a pergunta mais importante: o pitbull tem predisposição genética à agressividade?
RM:
Não e não! Por se tratar de uma raça forte, com temperamento dominante, alguns exemplares podem demonstrar intolerância com outros cães, mas não existem as tais "linhagens de pitbulls agressivos com seres humanos". Isso é mito! O que pode acontecer é que uma fêmea próxima ao período do cio ou com filhotes, ou mesmo um macho excitado pela proximidade de uma fêmea no cio, demonstrem uma agressividade maior. Mas isso pode acontecer com qualquer cachorro, de qualquer raça!

FONTE: ARCA BRASIL

10/10/2009